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Anatomia de um SKILL.md

Por Fábio Hallgren · Atualizado em 17 set 2026 · 4 min de leitura · 807 palavras

O que vai em cada parte do arquivo de uma Skill e por que a ordem importa.

O cabeçalho define nome e descrição; a descrição é o gatilho.

Guia completo e atualizado

Abri o arquivo de uma Skill que não estava funcionando e o problema estava na primeira linha: a descrição dizia "análise de mídia" e eu pedia "por que o ROAS caiu". A IA nunca conectou as duas coisas. Troquei a descrição, e a Skill passou a disparar. Desde então, gasto mais tempo no cabeçalho do que no corpo, e este artigo explica por quê.

Vou percorrer cada parte de um SKILL.md: o que vai onde, o que decide se a Skill é ativada, o que a torna legível para o modelo e onde as pessoas erram.

O cabeçalho: nome e descrição

O arquivo começa com um bloco de metadados. O nome identifica a Skill; a descrição diz o que ela faz e quando deve ser usada. Essa descrição é lida antes de qualquer coisa e é o único critério para carregar a Skill ou não. Se o pedido do usuário não combina com ela, o corpo nunca é lido.

Uma boa descrição tem três partes: o que a Skill faz, os gatilhos (frases que a pessoa diria) e, quando importa, quando não usar. "Analisa campanhas de Google Ads e decide cortar, corrigir ou escalar. Use ao pedir análise de Google Ads, por que o ROAS caiu, negativar termos. Não use para Meta."

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O corpo: instruções que cabem em uma leitura

Depois do cabeçalho vem o procedimento. A regra prática: deve caber em uma leitura de segundos. Ordem, verbos no imperativo, um passo por linha. Se um passo precisa de explicação longa, ele vira uma frase no corpo e um arquivo de referência com o detalhe.

O corpo também diz o formato de saída e o que evitar. Esses dois blocos curtos previnem a maioria das respostas genéricas.

Referências: o detalhe mora fora

Tabelas de padrão, glossários, exemplos longos, regras de nomenclatura, scripts. Ficam em arquivos na mesma pasta e são citados no corpo: "para o padrão de nomes, leia referencias/nomenclatura.md". A IA abre só quando precisa, o que economiza contexto e mantém o corpo limpo.

Erro comum: colar tudo no arquivo principal. O modelo lê 400 linhas, se perde e passa a ignorar o começo.

Scripts

Quando a tarefa exige código repetitivo (consolidar planilhas, chamar uma API), o script fica na pasta da Skill e o corpo diz quando rodar. Assim a IA não reescreve o script a cada uso, e você revisa uma vez.

Exemplos: bom e ruim, com motivo

Um exemplo de resultado aprovado e um de resultado reprovado, cada um com uma linha explicando o porquê. Podem ficar no corpo se forem curtos, ou em referência se forem longos. Sem exemplo, o modelo acerta o conteúdo e erra a forma.

O que decide se a Skill dispara

Só a descrição. Nem o nome, nem o corpo. Por isso ela precisa conter as palavras que você usa. Um teste que faço: escrevo cinco pedidos diferentes para a mesma tarefa, do jeito que eu falaria, e confiro se a descrição cobre todos. Quando dois pedidos usam palavras que não estão lá, acrescento.

Erros de estrutura que mais vejo

Descrição que descreve o tema em vez da tarefa ("marketing digital" em vez de "escreve o resumo semanal de campanhas"). Passos escritos como prosa longa, sem ordem clara. Formato de saída ausente, o que gera uma tabela numa semana e uma lista na outra. Exemplo colado sem dizer por que é bom. Referência mencionada mas não citada no passo em que é usada, então a IA não a abre.

Cada um desses tem um sintoma reconhecível: Skill que não dispara, passo pulado, formato inconsistente, resposta correta com forma errada, detalhe ignorado. Quando o sintoma aparece, o erro de estrutura correspondente é o primeiro lugar para olhar.

Um modelo mínimo

Cabeçalho com nome e descrição com gatilhos. Corpo com: quando usar, passos numerados, formato de saída, o que evitar, exemplo bom e ruim, referências citadas. Cinco a trinta linhas. Tudo além disso é referência. Se você olhar o seu arquivo e ele tiver mais que isso no corpo, provavelmente dá para mover algo para fora.

FHFábio Hallgren

Na minha rotina

Todas as minhas Skills seguem o mesmo esqueleto, e isso me permite abrir qualquer uma e entender em segundos o que ela faz. Quando uma para de funcionar, olho primeiro a descrição, depois o formato de saída, depois os exemplos, nessa ordem, porque é a ordem de frequência dos erros. As referências mais usadas são o padrão de nomenclatura e a tabela de metas, compartilhadas entre várias Skills, o que significa que corrijo em um lugar só.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho ideal do corpo?

Poucas telas, legível em segundos. O detalhe vai para referências.

Posso ter uma Skill sem referências?

Sim, e a maioria começa assim. Referências aparecem quando o corpo cresce.

A IA lê as referências sempre?

Só quando o corpo manda. Por isso cite cada uma no passo em que é usada.

Posso escrever em português?

Sim. Escreva no idioma em que você faz os pedidos, para os gatilhos baterem.

Fontes e método

  • Documentação de Skills da Anthropic
  • Estrutura padronizada das Skills próprias, 2025 e 2026